Actual

RUI NEIVA - S/Título #15706

7 DEZ 2017 – 13 JAN 2018

Rui Neiva (Sintra 1974), finalista do curso de pintura da FBAUL de Lisboa, depois da presença em algumas exposições colectivas e uma primeira individual na galeria Shiki Miki desta cidade, apresenta-se no Módulo com um novo corpo de trabalho, telas a óleo de grande formato, desenvolvendo um discurso abstracto valorizado por um notável colorido de grande luminosidade e uma exploração subtil das qualidades de transparência do óleo.

A grande qualidade deste trabalho já passou a fronteira, pois os curadores madrilenos Semiramis Gonzalez e Daniel Silvo seleccionaram-no para expor na próxima edição da feira de arte emergente JusMad9 de Madrid em fevereiro do próximo ano.

“Os referentes de leveza poética subjacente às propostas visuais de Rui Neiva sugerem-nos ideias em fuga de um imaginário ilusionista: paisagens de miragens, um espaço textural ou desmaterializado por interferências, os bugs insubordinados de uma plotter revoltada, as falhas de toner numa impressora descalibrada, um vídeo com cortes e distorções, uma fotografia muito desgastada, a parede rasurada de um mural ou, ainda, a emissão paralela de frequências gráficas e sonoras capturadas a uma realidade espácio-temporal indefinida. Há fantasmas de linhas que mudam de cor, estados líquidos em ambientes sólidos, atmosferas carregadas de electricidade e materiais mais (ou menos) condutores. No acto daquele gesto, é o vestígio o elemento estruturante. O acaso filtrado e integrado num discurso abstracto. E o processo gera índices de arrastamentos, rastos de impressões das sobreposições e subtracções químicas e mecânicas acontecidas.

O observador é apanhado num movimento de reajuste permanente entre distância e proximidade. Os minúsculos detalhes ampliam universos de potencialidades morfológicas. (...) Há uma luz ao fundo da tela.

Durante os últimos três anos Rui Neiva participou regularmente em exposições colectivas e realizou recentemente a sua primeira exposição individual (#15524) como plataforma de um contínuo percurso de pesquisa que o conduziu até às obras aqui apresentadas (#15706).”

Ana Cardim