Exposição Actual

Press Release

Nuno Henrique (Funchal, 1982) tem agora a sua quinta exposição individual no Módulo e conforme nos tem habituado são aspectos da orografia e da flora da Madeira que o artista toma como referência. Aqui voltamos a encontrar o dragoeiro – os dois últimos exemplares desta árvore em estado selvagem desapareceram numa tempestade em finais do século passado - tema que tem servido na construção de várias séries que Nuno Henrique tem realizado. O papel tem sido o material de eleição do seu percurso artístico, a que se junta mais recentemente o vidro.

Sobre a exposição que agora se inicia diz o artista:

O título "desconhecem-se montes, encontram-se picos" foi retirado de "Porto Santo - Registos Insulares" de Francisco Freitas Branco. Faz parte de uma passagem em que se enumeram e diferenciam as palavras que nomeiam a paisagem das ilhas do arquipélago da Madeira, onde de facto não se sabe o que é um monte, bem como não existem aldeias. Ou seja, um território tão condicionado nos seus acidentes geográficos que consegue alterar o uso da língua portuguesa.

Os trabalhos que agora são apresentados correspondem a duas séries distintas. A primeira, iniciada em 2014 é agora concluída nesta exposição. São pequenas caixas que guardam topografias em recortes de papel picotados. Com folhas de papel variadas adiciono e subtraio volumes, texturas e cores. Aliás é sempre a mesma topografia a ser representada, repetindo-se em cada obra os relevos do sítio do Dragoal e indo até ao topo do Pico Castelo – duas toponímias que resultaram da breve história da ilha do Porto Santo; Dragoal, ancestral bosque de dragoeiros que com a colonização da ilha desapareceu; Pico Castelo, refúgio e último reduto dos ilhéus fustigados vezes sem conta por piratas e corsários.

O segundo conjunto são peças em vidro, que considerando uma série de desenhos feitos a partir de frascos e garrafas romanas, foram sopradas manualmente. Recipientes cujas formas identifico com as de uma árvore invertida e onde são gravados desenhos retirados de uma iconografia do dragoeiro. Trata-se, mais precisamente da iconografia da pintura O Jardim das Delicias Terrenas, c.1503–1515, Hieronymus Bosch e as gravuras; Fuga para o Egipto, c. 1504, Albercht Durer; The Dragon Tree, c. 1745, G. Child a partir de um desenho de autor desconhecido.

Ambas as séries resultam da necessidade de um olhar continuado sobre a mesma coisa. Olhar que embora condicionado a um território (fisico; vegetal; sensorial), encontra nessa mesma condição a liberdade necessária para dar a ver o mundo.

Nuno Henrique tem já uma longa lista de exposições colectivas, dentro e fora do país. Teve a sua primeira exposição individual em Madrid, em 2014, na Twin Gallery e no ano seguinte, em Nova Iorque, na Rooster Gallery. Em 2012 recebeu em Madrid o 2º Prémio na exposição de Desenho Contemporâneo Pilar y Andrès Centenera Jaraba. Em 2017 realizou uma individual no Museu do Dinheiro, Lisboa. 

Dia 12 do corrente apresenta Senciente, instalação no espaço Armário em Lisboa. Obras suas figuram em várias coleções particulares, como as de Fernando Figueiredo Ribeiro, QuARTel, Abrantes, Fundación Centenera Jaraba, Madrid e MG, Alvito.